Repactuação de contratos e renovação da frota para o setor ferroviário

O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, recebeu a indústria ferroviária, representada por sua entidade de classe, a Abifer, no dia 17 de junho, em Brasília. No encontro, foi discutida a repactuação das concessões atuais para que as permissionárias consigam fazer maiores investimentos.

abifer

(Foto: Divulgação/Abifer)

Segundo o presidente da entidade, Vicente Abate, “o encontro foi positivo, colocamos que o setor cresce na medida em que o transporte ferroviário se expandir”, informou, esclarecendo que isso se refere à carga e passageiros.

Frota moderna e competitiva
Entre as pautas da audiência, a renovação da frota ferroviária foi discutida com o Ministro. “É um tema que estamos tratando há mais de dois anos junto ao governo e às próprias concessionárias.” Segundo ele, estudos a respeito foram feitos há dois anos com o governo, mas ainda não saiu do papel. “As eleições de 2014 e o ajuste fiscal interromperam esse processo”, lamenta. Mas agora, diz, o assunto voltou à baila. “Sabemos que está em elaboração, inclusive, uma medida provisória (MP) que dispõe sobre a venda da frota, por parte das concessionárias, com mais de 40 anos de uso e com a obrigação de aplicar o que for levantado nessa venda em vagões e locomotivas e na própria manutenção das vias permanentes.” E completa: “Tirar essa frota antiga ineficiente por uma mais moderna significa ganhar produtividade.”

Abate explica que dos cerca de 120 mil vagões existentes no País, 40 mil têm idade avançada de mais de 40 anos – a vida útil desse equipamento, em média, é de 30 anos. “A proposta é trocar esses 40 mil por equipamentos mais modernos numa quantidade equivalente a 18 mil. Ou seja, você teria melhor rendimento com produto mais moderno que tem menor peso, o que confere maior velocidade de carga e descarga. Faríamos com 18 mil o que se faz hoje com 40 mil.”

Esses vagões, esclarece, como são antigos, não têm a tecnologia atual e pesam de cinco a dez toneladas a mais do que os modernos. “Conseguimos transformar em capacidade útil de carga quando se reduz o peso do vagão e se tem sistemas automatizados de carga e descarga. Fora isso, os vagões antigos eram usados para qualquer tipo de carga, hoje eles são customizados – isso dá uma produtividade maior também”, defende. E acrescenta: “Existe uma obsolescência natural ao longo de 30 anos.”

No caso das locomotivas, prossegue o empresário, é a mesma coisa. A frota atual é de 3.600 unidades, dessas, 1.400 têm mais de quatro décadas. “Nesse caso, estamos querendo trocar 1.400 por 600 novas locomotivas, com potência de 4.400 HP ante 1.200 HP das antigas. Elas também significam redução de consumo de combustível e admitem o biocombustível. “E estamos falando de vagões e locomotivas totalmente fabricados no Brasil. Isso é importante.”

A indústria brasileira, garante Abate, está preparada para esse desafio com qualidade e competitividade. “Num programa de renovação de frota, o nosso setor trabalha com a previsibilidade de fabricar um número definido de vagões ou locomotivas, com regularidade de entrega.” Para ele, tal situação significa movimentar a economia do País de forma vigorosa, com a geração de empregos, maior arrecadação de impostos e melhor desenvolvimento das ferrovias. “Todos ganham.”

Como ele informa, hoje a indústria ferroviária emprega cerca de 20 mil pessoas diretamente das quais oito mil estão ligadas à fabricação de vagões e locomotivas. “Prevemos para essa renovação mais dois mil empregos diretos, desde emprego de fábrica até engenharia de produção, de projeto e outras.” E finaliza: “Temos total capacidade de produção desses veículos, ajudando todos crescerem e ganharem.”

Fonte: Portogente

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